30 de out de 2014

Racionalidade sobre rodas

  Em pleno trabalho, indo do meu emprego para esperar por um Caio Apache Vip, flagrei esta bem conservada picape Kombi descendo a Rua 10, no Setor Sul, indo para a Avenida Universitária, que é sua continuação no Setor Universitário.

  Como a Kombosa fechada, a picape nunca primou por conforto, desempenho, estabilidade ou mesmo segurança passiva, esta mais por teimosia da direção da Volkswagen do que por qualquer motivo técnico. Leve, com cerca de 950kg, a picape cabine simples consegue a façanha de carregar mais de 1100kg de carga total, em rodem de marcha.

  Para quem se acostumou a ver picapes diesel passando fácil dos 100cv e levando menos de 800kg, parece um absurdo imaginar um motor que variou de 36cv a 67cv, na última versão a álcool, carregar quase 50% mais de carga útil com metade da potência máxima. O resultado é o esperado, baixa velocidade final, aceleração sonolenta e uma diferença gritante no desempenho entre a situação de ter só o motorista e levar carga total. O facto de as laterais da caçamba também baixarem e poderem ser retiradas, dá uma versatilidade que nenhuma picape tem até hoje. Nem vou falar do enorme porta-malas que há embaixo do assoalho, seria covardia.

  Este é um ponto curioso, porque determinou tanto o sucesso estrondoso, quanto o fim da produção na virada do século. Por ser muito leve a baixa potência proporciona um excelente consumo de combustível, além da legendária confiabilidade do motor boxer a ar, de onde nasceram os motores Porsche e Subaru. O custo e a freqüência de manutenção são desprezíveis, se compar aos outros utilitários, especialmente aos que conseguem levar mais de mil quilos na carroceria. Essa mesma leveza atenua o efeito da baixa potência com carga máxima, deixando o desempenho aceitável para o uso a que se destina; É um veículo absolutamente racional.

  O problema é que a Kombi, em todas as suas versões, praticamente parou no tempo. Só a saudosa Kia Besta conseguiu forjar uma evolução consistente, por ser a única concorrente que teve em toda a sua história no Brasil, porque lá fora ela teve muitas. Com isso se tornou cada vez mais difícil adequá-la às novas legislações e à exigência do consumidor, que passou a usar veículos de carga como esportivos de luxo. Uma aberração, sim, mas uma aberração que faz parte da cultura brasileira, cedo ou tarde chegaria às picapes.

  Como não podem deixar de notar, o automóvel mais versátil do mundo não conseguiu se manter apenas com o apelo da lucratividade, já que playboy só quer lucrar dentro da empresa, fora dela quer é torrar tudo. Menos interessante do que as pesadas S10 e Ranger, que custavam mais do que o dobro e levavam muito manos carga, o caminho ficou livre para a também cara e pesada Amarok.

  Ver uma Kombi dessas em ação e boas condições, é muito difícil, porque a maioria dos proprietários é feirante, e eles usam o carro até ele não conseguir mais sair do lugar, então vendem como sucata.

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